Disputa silenciosa nos bastidores: presidente do Brasil e líder dos EUA falam um após o outro em evento que celebra os 80 anos da ONU
Nesta terça-feira (23), os holofotes do mundo estarão voltados para Nova York, onde acontece a abertura da Assembleia Geral da ONU, com um embate ideológico entre dois líderes de visões opostas: Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Como manda a tradição desde 1947, o presidente brasileiro será o primeiro a discursar no evento. Logo em seguida, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocupar o mesmo púlpito. Apesar de não haver previsão de um encontro formal entre os dois, a expectativa por interações nos bastidores aumenta a tensão nos corredores diplomáticos.
🌐 Multilateralismo x Isolacionismo: o embate ideológico
Lula prepara um discurso centrado em cooperação internacional, sustentabilidade, justiça climática e redistribuição global de poder, reforçando o papel do Brasil como liderança progressista no Sul Global.
Já Trump, que regressou à presidência com retórica agressiva e foco em interesses internos americanos, deve usar sua fala para criticar organismos multilaterais e decisões da ONU que, segundo ele, “prejudicam a soberania dos Estados Unidos”.
“Essa sessão será marcada por dois mundos: o da diplomacia inclusiva de Lula e o da política externa agressiva de Trump”, comentou um diplomata ouvido pelo Notícia Tem.
Bastidores agitados e protestos à vista
Segundo fontes diplomáticas, não está descartado um eventual contato informal entre os dois presidentes nos bastidores do evento. No entanto, a equipe de segurança e protocolo de ambos trabalha para evitar qualquer tensão direta, lembrando o episódio do funeral do Papa Francisco, em abril, onde ambos compareceram, mas ficaram em alas separadas.
Grupos ativistas também se organizam do lado de fora do evento. Projeções indicam protestos de ambientalistas a favor das pautas defendidas por Lula e manifestações de conservadores alinhados com a retórica trumpista.
Discurso de Lula: o que esperar?
O presidente brasileiro deve usar o espaço para:
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Reforçar o papel do Brasil na luta contra as mudanças climáticas;
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Criticar os bloqueios econômicos unilaterais;
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Defender a reforma de instituições como o Conselho de Segurança da ONU;
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Apresentar avanços da integração energética na América Latina, como o recente caso do Linhão de Roraima;
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Cobrar maior justiça social e distribuição de vacinas, tecnologias e financiamento climático.
Trump: América primeiro, de novo
Trump deve adotar um tom mais duro:
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Reforçando a pauta de liberdade de expressão, especialmente em defesa de aliados como Jair Bolsonaro, atualmente julgado no Brasil;
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Criticando o STF brasileiro, que teve ministros com vistos revogados pelos EUA sob acusação de “censura”;
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Atacando o acordo climático de Paris e outras resoluções ambientais;
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Propondo um modelo de ONU menos “intervencionista”.
Duelo que ecoa além da ONU
Mesmo sem um embate direto, a sequência de discursos será simbólica: um mundo dividido entre alianças globais e projetos nacionalistas.
“Não é apenas um embate de países, é um confronto de narrativas sobre qual será o futuro da governança mundial”, apontou um analista internacional ouvido pela reportagem.
