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Tarifaço de Trump: como México e Canadá tentaram negociar com os EUA e o que o Brasil pode aprender

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington • REUTERS/Nathan Howard
 

O mundo em alerta com Trump: tarifas, ameaças e diplomacia comercial

A nova onda de tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump para entrar em vigor em 1º de agosto reacendeu um velho fantasma no comércio internacional: o uso do poder econômico dos Estados Unidos como ferramenta de pressão política.

México, Canadá e vários países latino-americanos foram pegos de surpresa com cartas oficiais do governo norte-americano informando sobre taxas de até 50% sobre produtos exportados aos EUA. O Brasil aparece entre os atingidos com uma tarifa inicial de 10%, mas a ameaça de aumento paira no ar.

📌 Como o México reagiu – firmeza, negociação e concessões

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum adotou uma postura firme e estratégica:

  • Manteve diálogo aberto com os EUA, mesmo sob pressão

  • Ofereceu ações concretas como o envio de 10 mil soldados à fronteira

  • Adiou temporariamente as tarifas, ganhando fôlego político

  • Conseguiu elogios públicos de Trump, o que contribuiu para sua alta popularidade (80%)

Lição para o Brasil:
✅ Reforçar canais diplomáticos com os EUA
✅ Negociar concessões táticas (mas não subservientes)
✅ Manter postura pública de soberania e dignidade

O Canadá respondeu com nacionalismo e estratégia política

O Canadá, alvo de ameaças tarifárias sob o pretexto de combater o tráfico de fentanil, também foi impactado por tarifas de até 35%. A resposta veio nas urnas: o economista Mark Carney foi eleito primeiro-ministro com discurso firme contra Trump.

  • Enfrentou a retórica belicista com diplomacia e dados

  • Promoveu a defesa do setor produtivo canadense

  • Rejeitou a ideia de “anexação” e promoveu o sentimento nacionalista

  • Reforçou o compromisso em combater o tráfico de drogas, mas exigiu reciprocidade

Lição para o Brasil:
✅ Usar a soberania como bandeira para unir governo, Congresso e sociedade
✅ Mostrar dados reais sobre o comércio bilateral
✅ Articular frentes internacionais, como OMC e Mercosul, para pressionar Washington

E o Brasil? Ainda há tempo para agir com inteligência

Com tarifas iniciais de 10% sobre produtos brasileiros, o Brasil ainda não foi o maior alvo, mas está na mira. O presidente Lula delegou ao vice-presidente Geraldo Alckmin a tarefa de negociar com empresários e propor alternativas ao governo norte-americano.

No entanto, os exemplos de México e Canadá indicam que a diplomacia econômica precisa ser proativa. É necessário:

  • Mapear os setores que serão mais impactados (como agro, tecnologia, têxtil)

  • Promover ações de comunicação internacional, mostrando a importância do Brasil como parceiro estratégico

  • Exigir tratamento isonômico frente a países concorrentes

  • Trabalhar em blocos regionais, como o Mercosul, para fortalecer a voz do Brasil nas negociações

País Estratégia Adotada Resultado Parcial
México Negociação + ações práticas (fronteira) Adiou tarifas, reforçou imagem política
Canadá Diplomacia + nacionalismo + oposição firme Ganhou nova liderança política, estável
Brasil Ainda em fase de diálogo interno com empresários Risco de aumento tarifário ainda existe

 

O Brasil precisa agir agora, de forma coordenada entre governo, empresários e diplomatas. A pressão de Trump não é apenas comercial — é estratégica e política. A resposta precisa ser firme, baseada em dados, reciprocidade e soberania nacional.

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