Troca de territórios? Reunião secreta entre EUA e Rússia preocupa Europa Oriental, que teme ser excluída das decisões sobre o próprio futuro, como em 1945
Uma nova reviravolta geopolítica pode estar se desenhando — e com traços assustadoramente parecidos com a história. O ex-presidente americano Donald Trump se prepara para um encontro com Vladimir Putin nesta sexta-feira (15), no Alasca, e o conteúdo da reunião vem gerando pânico diplomático e temor de um novo acordo de bastidores como o da Conferência de Yalta, que redesenhou o mapa da Europa após a Segunda Guerra Mundial.
Na pauta? A Ucrânia — sem Ucrânia presente.
Trump afirmou que pretende discutir com Putin “trocas de terras” no leste europeu. A comparação com Yalta, a infame cúpula de 1945 entre Roosevelt, Churchill e Stalin, foi imediata. Na época, a Europa Oriental foi entregue à influência soviética sem sequer ser consultada. Agora, com a Ucrânia e boa parte da Europa fora da mesa, o déjà-vu é quase inevitável.
“Yalta é um símbolo de tudo o que tememos”, afirmou o escritor alemão Peter Schneider, autor de The Wall Jumper. “Foi quando o destino de milhões foi selado sem voz nem voto.”
O que foi a Conferência de Yalta?
Em fevereiro de 1945, enquanto a Alemanha nazista estava prestes a cair, Roosevelt, Churchill e Stalin se reuniram na cidade de Yalta, na Crimeia (hoje sob domínio russo), para definir o futuro da Europa pós-guerra. A divisão dos territórios ignorou completamente a vontade dos povos do Leste Europeu. A Polônia foi desmembrada. Países como Hungria, Romênia e Tchecoslováquia ficaram sob o domínio da União Soviética, iniciando a Guerra Fria.
A nova reunião entre Trump e Putin, sem a presença da Ucrânia e dos países da OTAN, está sendo comparada diretamente a essa conferência histórica.
“É como se estivéssemos vendo uma Yalta 2.0, onde o destino de milhões está sendo negociado em uma sala fechada, sem representação”, afirmou o cientista político sérvio Ivan Vejvoda.
O medo é real: “Seremos vendidos de novo?”
Em toda a Europa Oriental, o medo é palpável. Países como Estônia, Polônia, Romênia e Letônia temem que a reunião no Alasca seja o início de um acordo que sacrifique a soberania ucraniana para satisfazer interesses geopolíticos.
“O trauma de sermos vendidos uma vez ainda está vivo. Agora tememos que aconteça de novo, com a Ucrânia no centro da negociação”, afirmou Kadri Liik, do Conselho Europeu de Relações Exteriores.
Putin quer “reconstruir” a influência da União Soviética
As intenções de Vladimir Putin não são segredo. Ele já declarou publicamente que deseja uma “nova arquitetura de segurança na Europa”, onde a Rússia volte a ter influência direta sobre países que estiveram sob domínio soviético.
Putin exige:
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Fim da expansão da OTAN;
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Retirada de tropas aliadas de países que entraram na aliança após 1997;
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Reconhecimento formal de sua zona de influência — o mesmo conceito que originou a Guerra Fria.
Mas o cenário de hoje é ainda mais perigoso
O historiador Timothy Snyder vai além: segundo ele, a reunião do Alasca é “moralmente menos defensável que Yalta”.
“Stalin era um aliado, embora controverso. Mas Putin está invadindo um país soberano. Ele é o agressor, não o libertador.”
Enquanto Roosevelt e Churchill tentavam negociar com Stalin territórios já ocupados por tropas soviéticas, Trump parece disposto a ceder áreas ainda controladas por ucranianos, sem que Kiev tenha voz no assunto.
A Europa reage — mas será suficiente?
Líderes da União Europeia planejam uma reunião virtual de emergência na próxima quarta-feira com Trump e seu vice, J.D. Vance, para tentar entender os rumos do diálogo com Putin.
Enquanto isso, a OTAN aumenta sua vigilância nas fronteiras com a Rússia. A Polônia já declarou que não aceitará qualquer rearranjo territorial negociado sem consentimento das partes envolvidas.
Uma nova guerra fria à vista?
O mundo assiste tenso. O que está sendo negociado no Alasca ainda não foi revelado, mas os sinais de alerta estão por todos os lados. A história já mostrou o que pode acontecer quando superpotências decidem o futuro de países inteiros sem consulta ou transparência.
E se a Ucrânia for só o começo?
