Médico especialista explica os impactos de quatro transplantes em menos de um ano
O apresentador Fausto Silva, de 75 anos, vive um dos momentos mais delicados de sua jornada médica. Nesta quinta-feira (7), ele foi submetido a dois novos transplantes de órgãos, somando quatro procedimentos em menos de um ano: coração, rim (duas vezes) e fígado. Internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde maio, o comunicador inspira cuidados intensivos e reabilitação rigorosa.
Essa sequência de transplantes levanta uma questão importante: quais os riscos de realizar tantos procedimentos complexos em um curto intervalo de tempo? Para esclarecer o assunto, a CNN conversou com o Dr. Wellington Andraus, chefe do Serviço de Transplante de Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da USP.
🩺 Múltiplos transplantes: quando o corpo já está sobrecarregado
Segundo o Dr. Andraus, o risco de um transplante afetar negativamente outro órgão é real, especialmente quando o corpo já está fragilizado:
“O processo inflamatório de um transplante pode levar à falência de outro órgão. Por exemplo, um transplante de fígado pode comprometer os rins. Situações inflamatórias graves, como a sepse, agravam ainda mais esse quadro”, explica.
No caso de Faustão, o transplante cardíaco em 2023 foi seguido por complicações renais que o levaram à diálise e, depois, ao transplante de rim em 2024. Ainda em recuperação, ele enfrentou sepse — infecção generalizada que compromete múltiplos sistemas do corpo — e agora passou por mais dois procedimentos: fígado e um novo rim.
💡 O que acontece no corpo após tantos transplantes?
De acordo com o especialista, quedas prolongadas na pressão arterial, inflamações intensas e a liberação de citocinas (substâncias inflamatórias) afetam diretamente os órgãos:
“É como se o corpo entrasse em guerra. A inflamação e a isquemia (falta de oxigênio nos órgãos) causam danos profundos, tornando cada transplante mais arriscado que o anterior.”
Além disso, o uso de imunossupressores — medicamentos necessários para evitar rejeição dos órgãos — aumenta o risco de infecções e dificulta a recuperação plena.
Quanto tempo leva a recuperação e como a sepse afeta o transplante?
O tempo de recuperação varia de acordo com o estado geral do paciente. Em pessoas idosas e com histórico de múltiplas internações, como é o caso de Faustão, a evolução tende a ser lenta e imprevisível.
“A sepse é um complicador gravíssimo. Ela dificulta a cicatrização, enfraquece o organismo e aumenta o risco de falência de órgãos”, alerta Dr. Andraus.
Um caso raro e complexo
Faustão é hoje um dos poucos brasileiros a passar por quatro transplantes de órgãos distintos, em um intervalo tão curto de tempo. O caso é considerado excepcional pela comunidade médica e requer monitoramento diário e estratégias personalizadas de reabilitação.
Estado de saúde segue delicado
Apesar da força e otimismo que sempre marcaram sua trajetória, o apresentador segue internado e sem previsão de alta. A família mantém discrição, mas informa que Faustão está sob os cuidados de uma equipe médica multidisciplinar especializada em transplantes complexos.
