STJ reconhece ilegalidade na prisão e determina liberação do funkeiro investigado em esquema de lavagem de dinheiro
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus ao cantor MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, preso durante a Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal. A decisão reconhece a ilegalidade na prisão temporária e determina a revogação da medida, com consequente liberação do artista.
A informação foi confirmada pela defesa do cantor na manhã desta quinta-feira (23).
Defesa aponta erro no prazo da prisão
Em nota, os advogados informaram que a decisão liminar do STJ reconheceu irregularidades na manutenção da prisão:
“O Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão liminar reconhecendo a ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e demais investigados, determinando o imediato restabelecimento da liberdade”, diz o comunicado.
Segundo a defesa, a soltura ocorre de forma automática após o reconhecimento de erro no prazo da prisão temporária.
Prisão ocorreu durante operação da PF
MC Ryan SP estava detido desde a última quarta-feira (15), após ser preso em Bertioga, no litoral de São Paulo, e levado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro em larga escala, envolvendo figuras do meio artístico e do entretenimento.
Investigação aponta liderança no esquema
De acordo com a Polícia Federal, o cantor seria um dos líderes da organização criminosa, que teria movimentado valores bilionários.
As investigações indicam que o grupo utilizava empresas do setor musical e de entretenimento para misturar receitas legais com recursos de origem ilícita, provenientes de apostas ilegais, rifas digitais e outras atividades.
A PF também aponta o uso de mecanismos como:
- Transferência de bens para familiares e “laranjas”;
- Uso de criptomoedas para dificultar o rastreamento;
- Aquisição de bens de alto valor, como imóveis de luxo, veículos e joias.
Possível ligação com o PCC
As apurações também investigam uma possível conexão do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Um dos nomes citados é o de um suposto operador financeiro que teria ligação com o início da carreira do artista.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, a organização atuava com três principais mecanismos:
- Pulverização: inserção de dinheiro sem origem comprovada por meio de vendas e eventos;
- Dissimulação: uso de transações complexas e criptoativos para ocultar a origem;
- Interposição de terceiros: utilização de “laranjas” para esconder os verdadeiros beneficiários.
Sobre a Operação Narco Fluxo
A operação tem como objetivo desarticular uma rede criminosa de lavagem de capitais no Brasil e no exterior.
Ao todo, foram cumpridos:
- 33 mandados de prisão temporária
- 45 mandados de busca e apreensão em diversos estados
Além disso, houve bloqueio de bens e apreensão de veículos de luxo, com valores estimados em cerca de R$ 20 milhões.
Apesar da decisão do STJ que garante a soltura do artista, as investigações continuam. A Polícia Federal segue apurando o envolvimento dos suspeitos e a extensão do esquema criminoso.
