O técnico da seleção brasileira, Dorival Júnior, levantou um debate polêmico sobre o número de jogadores estrangeiros atuando na Série A do Brasileirão. Durante sua participação no evento “Summit CBF Academy”, realizado nesta terça-feira (26) em São Paulo, o treinador destacou que o aumento desse limite pode ter impactos negativos no desenvolvimento do futebol nacional.
Preocupação com o futuro do futebol brasileiro
Dorival apontou um exemplo europeu para embasar sua preocupação:
“A Itália permitiu que jogadores estrangeiros da comunidade europeia transitassem livremente entre os clubes. Chegaram ao ponto de ter times inteiros sem italianos e, como consequência, ficaram fora de duas Copas do Mundo. Não perceberam o quanto isso foi prejudicial,” comentou o técnico.
Ele destacou ainda um dado alarmante: 12 dos 20 clubes da Série A têm centroavantes estrangeiros como titulares, o que pode prejudicar a formação e revelação de talentos nacionais.
Aumento do limite de estrangeiros no Brasileirão
Neste ano, o número de estrangeiros permitidos por partida foi ampliado de sete para nove jogadores. Em setembro, foi reportado que mais de 130 atletas estrangeiros atuavam no Campeonato Brasileiro. Segundo Dorival, isso pode levar a uma redução nas oportunidades para jovens brasileiros se desenvolverem nas principais competições do país.
“Se continuarmos assim, daqui a um ou dois anos vamos pagar um preço muito alto, porque não teremos quem vender e nossa capacidade de lançar talentos será limitada aos jogadores fora de série.”
Saída precoce de jovens brasileiros
Outro ponto levantado por Dorival foi a exportação precoce de jovens atletas para o exterior, citando casos como os de Endrick e Estevão, que se transferiram para clubes europeus antes de completarem 18 anos.
“Estamos perdendo jogadores muito cedo, sem que eles possam dar retorno técnico aos clubes daqui. Eles acabam sendo formados na Europa, o que também terá consequências graves para o futebol brasileiro.”
Um chamado para reflexão
Dorival reforçou a necessidade de um debate profundo sobre essas questões, alertando para os efeitos a longo prazo:
“É fundamental revermos esse contexto. Precisamos proteger o nosso futebol e garantir que nossos jovens tenham tempo e espaço para se desenvolver no Brasil.”