Corte tenta limpar a barra digital dias antes de julgar Bolsonaro; internet divide opiniões sobre “rebranding” com humor e likes
Brasília (DF) — Em clima de crise de imagem, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu sair da sua tradicional postura sóbria e mergulhar no universo dos influenciadores digitais. A aposta? Um projeto de “rebranding” nas redes sociais, com direito a gargalhadas ao lado do ministro Alexandre de Moraes e vídeos descontraídos no coração da Corte.
A estratégia, que pegou muita gente de surpresa, acontece às vésperas do julgamento de Jair Bolsonaro e outros réus da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Para os bastidores do STF, a imagem da instituição precisava urgentemente de um “banho de loja”, principalmente diante dos altos índices de rejeição.
Rebranding com risada e trending topics
A movimentação começou com a visita de 26 influenciadores ao prédio do STF. Nenhum deles crítico da Corte. Entre os convidados, o humorista paraibano Mizael Silva, famoso por se intitular “advogado de Alexandre de Moraes” nas redes sociais.
O encontro gerou cenas improváveis: Moraes arrancando risadas ao perguntar se Mizael falava inglês para defendê-lo nos EUA. O momento viralizou e rendeu manchetes.
“É loucura ver isso… Moraes rindo e influenciador dando like. Que fase!”, comentou um usuário no Instagram oficial do STF.
Estratégia ou desespero digital?
A ação faz parte de uma tentativa clara de se reconectar com o público jovem, que consome conteúdo em vídeos curtos, memes e reels. Mas, como toda tentativa de modernização em um ambiente polarizado, a reação foi mista.
“Uma Suprema Corte que precisa de influencer pra parecer simpática perdeu o foco”, disse outro internauta.
A comparação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi inevitável. Em 2022, o TSE chamou Anitta para incentivar os jovens a tirarem o título de eleitor. A campanha foi um sucesso: o número de alistamentos de jovens aumentou 47% em relação a 2018.
Popularidade da Corte em queda
Segundo a pesquisa Datafolha de agosto, 36% dos brasileiros avaliam o STF como ruim ou péssimo, o maior índice dos últimos anos. Já o levantamento Atlas/Bloomberg revela que 45,4% acreditam que o país vive uma “ditadura do Judiciário”.
Apenas 0,1% não soube opinar — um dado que mostra como o Judiciário virou tema quente nas rodas de conversa e está no centro do debate político.
Imagem pública: crise ou renovação?
Para o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, esse “banho de loja digital” pode ajudar a suavizar a imagem de uma Corte que se viu alvo constante da direita radical desde 2018. Os ataques, inclusive, culminaram na invasão do tribunal em janeiro de 2023 e em ameaças diretas a ministros.
Vai funcionar?
A pergunta que fica no ar: trazer influenciadores e criar conteúdo leve sobre uma das instituições mais sérias da República vai, de fato, aproximar o STF do povo?
Ou a iniciativa será vista como uma cortina de fumaça para desviar o foco das decisões polêmicas?
O julgamento de Bolsonaro está prestes a acontecer. E com ele, todos os olhos — e likes — estarão novamente voltados ao Supremo.





































