Mesmo com estatal fora da revenda, preço explode e Planalto culpa privatizações e intermediários.
O botijão de gás de cozinha de 13kg continua pesando no bolso do brasileiro, mesmo após medidas do governo federal e mudanças na política de preços da Petrobras. Em agosto de 2025, o preço médio ao consumidor ainda gira em torno de R$ 100, o que tem incomodado profundamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o Planalto, o grande vilão da alta no preço final seria a cadeia de “atravessadores” — distribuidores e revendedores que aumentaram sua fatia no lucro da comercialização do gás. Uma análise feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostra, no entanto, que os governadores também têm parte nesse aumento, especialmente devido ao peso crescente do ICMS.
📊 Evolução do preço e participação de cada setor no valor final
A comparação entre os anos de 2002 e 2023 é reveladora:
-
Em 2002: o botijão custava R$ 28, sendo:
-
50% para distribuição e revenda
-
37% para a Petrobras (produção)
-
13% para ICMS
-
-
Em 2023: o valor médio subiu para R$ 100, sendo:
-
51,8% para distribuição e revenda (+1,8 pp)
-
32,1% para Petrobras (-4,9 pp)
-
16,1% para ICMS (+3,1 pp)
-
-
Em 2025, a composição se mantém similar:
-
51,1% para distribuição
-
32,2% para Petrobras
-
16,7% para ICMS
-
💥 Ou seja: a Petrobras reduziu sua participação proporcional, enquanto a carga de impostos estaduais e os lucros dos intermediários aumentaram.
Preço nominal explodiu nos últimos anos
Mesmo com a menor participação proporcional da Petrobras, o valor nominal cobrado por todos os setores subiu de forma vertiginosa:
-
Parte da Petrobras: de R$ 8 para R$ 34,74 (+330%)
-
Distribuição/revenda: +403%
-
ICMS: +538%
A alta dos preços internacionais do petróleo, agravada pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, também impactou diretamente esse cenário.
Lula quer Petrobras de volta ao jogo
A privatização da Liquigás (distribuidora da Petrobras), feita durante o governo Bolsonaro, é frequentemente citada por Lula como um dos principais erros. A perda do controle da estatal sobre a cadeia de venda direta ao consumidor impediu, segundo o governo atual, qualquer interferência para segurar o preço final.
“Não adianta a Petrobras fazer esforço se o atravessador mete a mão e o imposto do estado sobe junto. O povo não sente a diferença”, declarou um auxiliar direto do presidente.
Agora, o Planalto aposta na volta da Petrobras ao mercado de revenda, seja por meio de parcerias, novos canais de venda direta ou até criação de subsidiárias. A estratégia tem apoio da ala política do governo e da Petrobras sob o comando de Magda Chambriard.
Gráfico mostra escalada histórica
O gráfico da CNN Brasil, com dados da EPE e da Petrobras, mostra que o salto mais expressivo no preço do botijão ocorreu após a privatização da Liquigás, em 2020. A partir daí, o valor disparou até romper a barreira dos R$ 120 em 2022, recuando apenas parcialmente até os atuais R$ 100.





































