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Governo norte-americano acusa sistema de pagamentos brasileiro de prática desleal
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Política

Pix na mira dos EUA? Investigação de Trump pode gerar tarifaço contra o Brasil

 

Governo norte-americano acusa sistema de pagamentos brasileiro de prática desleal e ameaça impor sanções; Brasil reage

O sistema de pagamentos instantâneos Pix, um dos maiores sucessos tecnológicos do Brasil nos últimos anos, entrou na mira do governo dos Estados Unidos. A gestão do presidente Donald Trump abriu nesta terça-feira (15) uma investigação oficial contra o Brasil, alegando que o uso e promoção do Pix configura uma prática comercial desleal, prejudicando empresas norte-americanas — especialmente o Whatsapp Pay, que foi barrado no país antes mesmo da estreia do Pix.

A investigação será conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e pode resultar em tarifas extras, sanções comerciais e medidas não tarifárias. De acordo com o embaixador de comércio dos EUA, Jamieson Greer, a ordem partiu diretamente de Trump, que já autorizou medidas semelhantes contra China e União Europeia no passado.

📉 Entenda o que está em jogo

O governo norte-americano alega que o Brasil adotou uma série de políticas “irracionais e discriminatórias” que dificultam o acesso de empresas dos EUA ao mercado brasileiro. O Pix é apontado como um desses obstáculos, já que é desenvolvido e operado pelo Banco Central do Brasil, o que, segundo a acusação, desfavorece iniciativas privadas internacionais.

Além disso, o relatório da USTR cita os seguintes pontos como base para a investigação:

  • Restrição ao WhatsApp Pay, prejudicando empresas americanas de tecnologia financeira;

  • Tarifas de importação desiguais, beneficiando países como México em detrimento dos EUA;

  • Combate insuficiente à pirataria, com destaque para o comércio ilegal na Rua 25 de Março, em SP;

  • Desmatamento ilegal, gerando concorrência desleal com o agronegócio dos EUA;

  • Alta taxa sobre o etanol americano, dificultando exportações;

  • Enfraquecimento do combate à corrupção, criando ambiente instável para negócios norte-americanos.

Guerra comercial à vista?

Na semana passada, Trump anunciou que, a partir de 1º de agosto, todas as importações brasileiras para os EUA serão taxadas em 50%. A medida seria uma retaliação direta ao processo contra Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após perder as eleições. A nova investigação fortalece o risco de um tarifaço ainda maior, ampliando o atrito diplomático e econômico entre os dois países.

Reação do Brasil

O governo brasileiro classificou a medida como “injusta e prejudicial”. Um comitê interministerial foi criado para avaliar possíveis contramedidas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) destacou que os EUA têm superávit comercial com o Brasil, e que ambos os países possuem uma cadeia produtiva integrada, como no setor siderúrgico.

“Temos uma complementaridade econômica. Um exemplo é a siderurgia: somos o terceiro comprador do carvão siderúrgico americano. Fazemos o aço plano, que vendemos para eles. Eles produzem o produto acabado”, afirmou Alckmin.

Trump responde com provocação

Ao ser questionado sobre os motivos da abertura de uma guerra comercial contra o Brasil, Trump respondeu com seu estilo característico:
“Porque eu posso.”

A declaração foi vista como mais um episódio de tensão política e diplomática, que pode afetar diversos setores da economia brasileira, especialmente o agronegócio, tecnologia e indústria.

O que acontece com o Pix agora?

Apesar das acusações, o Banco Central do Brasil e o Ministério da Fazenda ainda não comentaram oficialmente sobre a menção ao Pix na investigação. Especialistas afirmam que o sistema brasileiro é aberto e gratuito, utilizado por milhões de brasileiros e sem fins lucrativos — o que poderia dificultar a argumentação americana.

Se confirmadas as tarifas e sanções, o Brasil poderá enfrentar recuo de investimentos estrangeiros, aumento de preços em produtos importados e instabilidade no comércio exterior. O Pix, que já revolucionou o sistema bancário nacional, pode agora se tornar peça central de uma disputa internacional sem precedentes.

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