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Bahia

Assassinato de Líder Quilombola na Bahia Gera Investigação Federal e Revolta na Comunidade

 

 Um Chamado à Justiça e à Proteção das Comunidades

A Superintendência Regional da Polícia Federal na Bahia anunciou na sexta-feira (18) a abertura de um inquérito para investigar o homicídio de Maria Bernadete Pacífico Moreira, também conhecida como Mãe Bernadete, uma proeminente líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado na região metropolitana de Salvador. A morte de Mãe Bernadete trouxe à tona uma série de preocupações sobre a segurança das comunidades quilombolas e ressaltou a necessidade de respostas rápidas e justas para esse crime.

A líder quilombola foi brutalmente assassinada, seguindo o mesmo padrão de violência que vitimou seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, em 2017. O assassinato de Binho já havia deixado um rastro de impunidade e revolta na comunidade, uma vez que os culpados não foram identificados e responsabilizados até o momento. A morte de Mãe Bernadete parece ecoar a sombria sequência de eventos, levantando questões profundas sobre a segurança das lideranças quilombolas e a eficácia das instituições em promover a justiça.

A Polícia Federal informou que o homicídio de Binho está sob investigação da Polícia Civil da Bahia, enquanto os esforços para elucidar os dois assassinatos estão sendo empregados com máxima seriedade. Ainda assim, a investigação está sendo conduzida sob sigilo, o que aumenta a ansiedade e as preocupações entre a comunidade.

Denildo Rodrigues, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), destacou a tragédia e a sensação de que a voz de Mãe Bernadete foi silenciada. Ele expressou a crença de que a líder quilombola foi morta pelo mesmo grupo responsável pela execução de seu filho. A sensação de que a Justiça falhou em responsabilizar os envolvidos no caso anterior torna o luto e a revolta ainda mais intensos.

O Quilombo Pitanga dos Palmares, liderado por Mãe Bernadete, é formado por quase 300 famílias e tem uma área de mais de 850 hectares, reconhecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2017. A comunidade já obteve certificação pela Fundação Cultural Palmares, embora o processo de titulação do quilombo ainda esteja pendente.

O assassinato de Mãe Bernadete e a sequência de eventos trágicos que atingiram sua família e comunidade são um lembrete sombrio das ameaças enfrentadas pelas lideranças quilombolas no Brasil. A comunidade espera que as investigações revelem a verdade e os responsáveis, e que a justiça seja finalmente alcançada para que essas mortes não sejam em vão e que as vozes dos quilombolas continuem a ser ouvidas e respeitadas.

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